O cantochão da antífona Asperges me no ritual mercedário de João da Veiga (1780)

Uma investigação melódico-comparativa de sua origem, a partir de cantorais mercedários, tridentinos e dominicanos.
Sem categoria

Resumo. Este trabalho procede à análise comparativa do cantochão Asperges me, extraído do cantoral publicado para uso no Convento das Mercês do Pará, em 1780. O objetivo da comparação, e por conseguinte do trabalho, é o de identificar a provável origem da melodia deste canto, a partir da investigação de diversos cantorais que podem ter servido de fonte para esta compilação: mercedários, tridentinos (romanos ou portugueses) e dominicanos. A conclusão contribui para a hipótese de que este cantoral pode ser considerado um exemplo de “romanização” do rito mercedário na Amazônia do séc. XVIII.

Palavras-chave. Cantochão. Mercedários. Música colonial brasileira. Romanização.

Title. The Asperges Me Chant from The João da Veiga’s Mercedarian Ritual: a Melodic-Comparative Investigation of its Origin Starting from mercedarian, tridentine and another religious orders chant book’s.

Abstract. This work proceeds to a comparative analysis of the plainchant Asperges me extracted from the chant book published for use at the Mercedarian Convent of Pará in 1780. The purpose of the comparison, and therefore of the work, is to identify the probable origin of this chant’s melody, starting from the investigation of many chant books that may served as a source for this compilation: Mercedarians, Tridentines (roman or portuguese), or dominicans books. The conclusion contributes to the hypothesis that this chant book can be considered an example of “romanization” of the Mercedarian rite in Amazonia of the 18th century.

Keywords. Plainchat. Mercedarians. Brazilian Colonial Music. Romanization.

1. Introdução

O ritual mercedário de João da Veiga (RMJV) é uma publicação litúrgica católica em dois volumes1 com orações, rubricas e cantochão escrito em pautas de quatro linhas, com figuras quadradas (longas, breves e semibreves), impressa em Lisboa nos anos de 1780 e 1783, para uso do Convento dos Mercedários do Pará, por iniciativa do frei mercedário João da Veiga (JV), comendador do mesmo convento entre os anos de 1777 e 1782, aproximadamente.2

Os títulos dos dois volumes são: Rituale sacris, regalis, ac militaris ordinis B. V. Mariae de Mercede redemptionis captivorum, ad usum fratrum ejusdem ordinis in Congregatione Magni Paraensi commorantium, jussu / R. P. praedicatoris Fr. Joannis da Veiga in Civitate Paraensi ejusdem Ordinis Commendadoris elaboratum, & in lucem editum, e, Manuale sacrum regalis, ac militaris ordinis B. V. Mariae de Mercede redemptionis captivorum, complectens omnia quae ad sacramentorum administrationem pro infirmis, ad sepulturam mortuorum, & suffragia pro eisdem impertienda pertinent. / Ad usum Congregationis ejusdem Ordinis in Statu Grandi Paraensi concinne elaboratum, & in lucem editum3. O primeiro volume contém procissões (de festas de tempore e de sanctis mercedários) súplicas, bênçãos e outras cerimônias próprias desta ordem religiosa; já o segundo volume, cerimônias para enfermos, sepultamento e sufrágio dos mortos.

Trata-se da pesquisa de Doutorado em andamento deste autor, sendo este trabalho em particular parte da investigação, que busca a confirmação da seguinte hipótese: de que um dos objetivos da impressão deste cantoral foi a “romanização” ou “tridentinização” das práticas musicais mercedárias no Pará. Para investigar essa hipótese, selecionamos um cantochão do RMJV que fosse largamente utilizado pela ordem e que também estivesse presente nos demais livros litúrgico-musicais (cantorais) mercedários, tridentinos e dominicanos, para proceder a uma comparação melódica que verificasse qual é a versão mais próxima daquela registrada no RMJV.

O cantochão selecionado foi a antífona Asperges me (ASP), que é utilizada em qualquer cerimônia ou rito que necessite de aspersão da água benta. A escolha se deu pois é o cantochão previsto para acompanhar essa ação em todos tempos litúrgicos (menos o tempo pascal, cuja antífona indicada é Vidi Aquam), motivo pelo qual é referenciado em várias cerimônias do RMJV. Ademais, está presente nos vários outros tipos de cantorais que servem ao nosso propósito comparativo. O canto é o primeiro registrado por todo o conjunto da compilação de JV; encontra-se no Rituale, páginas 9 a 11.

Para tanto, este trabalho se dividirá nas seguintes partes: metodologia da análise, que apresentará todos os cantorais selecionados para esta comparação e as razões que justificam a seleção, a partir de uma breve explanação sobre a história da liturgia mercedária; a análise em si, apresentando os quadros comparativos, uma proposta de divisão em grupos melódicos e semelhanças e diferenças do ASP extraído do RMJV com os de outros cantorais; e para concluir, as considerações finais acerca da hipótese acima mencionada.

2. Metodologia da Análise

2.1. Liturgia mercedária

Desde sua fundação, em 1218, até 1327, a ordem mercedária teve uma prática ritual baseada nas liturgias próprias das dioceses onde esteve presente, liturgias bastante diversificadas e descentralizadas.

Em 1327 já se encontra nas constituições a adoção da liturgia dos dominicanos, sugerida pelo Mestre Geral Ramon Albert, eleito em 1317, mas ainda assim a uniformidade litúrgica foi muito relativa até que, em 1506, foi publicado o primeiro breviário exclusivo da ordem.

O capítulo geral de 1561 ordenou o uso dos livros litúrgicos publicados em 1533 (Ordinário de Alfonso de Çorita)4 e 1560 (Breviário5 e Missal6 de Michael Puig). Porém, tais livros foram pouquíssimo usados graças à adoção da liturgia romana definida no Concílio de Trento pelo capítulo geral de Saragoça, em 1576.

Em função dessa adoção, e com o intuito de complementar a liturgia romana com as cerimônias (orações, rubricas e cantos) típicas da ordem, foram publicados na Espanha um manual de coro (1598)7, um cerimonial (1614)8 e um ritual (1639)9. No séc. XVIII surgiram na Espanha mais duas outras edições do ritual (1701 e 1770). De posse desses diversos estratos litúrgicos, cada qual com uma personalidade musical própria, selecionamos os cantorais utilizados na comparação das melodias do ASP.

2.2. Cantorais selecionados

2.2.1. Gradual Dominicano de 195010

As primeiras melodias que influenciaram o rito mercedário de modo uniforme foram as de origem dominicana. Não obstante, é necessário ter cuidado ao selecioná-las para a investigação: o próprio rito dominicano possui diversas fases e o contato mercedário com estas melodias se deu através dos manuscritos e livros litúrgicos dominicanos produzidos até a primeira metade do séc. XVI. Tais melodias foram restauradas no séc. XIX por meio do trabalho do dominicano Pie Bernard (1826 – 1899), um dos precursores do movimento de restauração gregoriana solesmense. Portanto, para esta investigação, a melodia do ASP foi extraída da última edição do gradual dominicano (GD 1950, p. V-VI), edição atualizada dos trabalhos de Pie Bernard.

2.2.1. Manual de coro mercedário de 1598

Apesar da publicação de livros litúrgicos mercedários autônomos ter começado ainda na primeira década do séc. XVI, o primeiro cantoral que pode ter deixado de sofrer influência da prática musical dominicana para espelhar a prática romana pós-concílio de Trento é o manual de coro mercedário de 1598 (ZUMEL, 1598, MCM1598). Entendo, porém, tratar-se de hipótese fraca, já que o primeiro livro litúrgico considerado um cantoral tridentino foi o Directorium Chori de Giovanni Guidetti de 1582, publicado apenas dezesseis anos antes do MCM1598, lapso de tempo talvez insuficiente para influenciar a primeira compilação mercedária pós-tridentina. De todo modo, o ASP do MCM1598 (p. 1-2) está presente neste estudo comparativo para que possamos enquadrá-lo entre os que sofreram influência dominicana ou tridentina e dessa forma saibamos se pode ter influenciado ou não as melodias do RMJV.

2.2.3. Gradual da Editio Medicea de 1614

A presença da melodia do ASP do Gradual da Editio Medicea (BAROFFIO e SODI, 2001, p. 260-261, EM1614) é obrigatória nesta investigação comparativa. Este cantoral é o primeiro grande e amplo testemunho do novo estilo de canto litúrgico católico batizado de cantochão tridentino e serviu de modelo musical para dezenas de publicações locais subsequentes até o fim do séc. XIX.

2.2.4. Rituais mercedários espanhóis do século XVIII (1701 e 1770)

Após a adoção do Rito Romano por parte da ordem mercedária por ocasião do Concílio de Trento, fez-se necessária a edição de livros litúrgicos complementares que trouxessem suas práticas litúrgicas específicas. Dessa forma, procissões, bênçãos, súplicas, ritos fúnebres e outras cerimônias típicas foram compiladas em um ritual de ordem; por outro lado, missas, sacramentos e outras cerimônias mais gerais passaram a ser realizadas a partir do manuseio dos livros romanos próprios para tais fins. Cantos que eram comuns às práticas específicas e às práticas gerais previstas no rito tridentino puderam ter as melodias tradicionais mercedárias preservadas por meio destes cantorais.

O primeiro ritual mercedário foi publicado na Espanha entre 1638 e 1639 e foi republicado mais duas vezes ao longo do séc. XVIII (século de publicação do RMJV): em Sevilha, em 1701 (NAVARRO, 1701, RM1701), e em Madri, em 1770 (BARNABE, 1770, RM1770), este último uma atualização realizada por solicitação do Mestre Geral da Ordem à época, Frei Basílio Gil de Barnabe, provavelmente impulsionada pelas modificações do Ritual Romano realizadas pelo Papa Bento XIV, em 1752. Até o momento não temos como confirmar qual destas duas edições João da Veiga teve acesso ao realizar sua própria compilação, apesar de ser pouco provável que tenha tido tempo hábil para o contato com o volume publicado em 1770; de todo modo, até para enquadrar as duas edições e excluir qualquer dúvida, optou-se por incluir o ASP extraído de ambos os volumes (RM1701, p. 5-6; RM1770, p. 1-2).

2.2.5. Theatro Ecclesiastico (1765)

O Theatro Ecclesiastico, em que se acham muitos documentos de canto chão (…), é um manual para ensino de cantochão escrito por Frei Domingos do Rosário, franciscano do Convento de Mafra, em Portugal (CASTAGNA, 2000, p. 14), que além de conter lições musicais, registra várias cerimônias contendo orações, rubricas e cantos. Foi escrito com o intuito de difundir a liturgia e cantochão tridentino em Portugal e possui nove edições, publicadas entre 1743 e 1817. Sua presença em vários acervos brasileiros demonstra que tais volumes circularam por todo o país e que provavelmente tenha sido o material responsável pela difusão da liturgia tridentina no território nacional, ou seja, que a “tridentinização” das melodias mercedárias por João da Veiga, caso tenha acontecido, pode ter sido baseada neste cantoral. Selecionamos o ASP do Theatro Ecclesiastico publicado em 1765 (TE1765, p. 46-47) pois as edições de 1743 (p. 148), 1751 (p. 65) e 1758 (p. 56) registram apenas o incipit do canto e a edição de 1774 é uma publicação de datação muito próxima ao do RMJV, o que pode ter inviabilizado o contato de João da Veiga com ela.

2.2.6. Gradual (edição vaticana)

O Gradual da edição vaticana (GEV) foi publicado a primeira vez em 1908, por ocasião do movimento de restauração gregoriana capitaneado pela Abadia de Solesmes e patrocinado pelo Papa Pio X. A restauração gregoriana consistiu na reconstituição do canto a partir do estudo de manuscritos medievais, de modo que a eleição do ASP oriundo deste gradual servirá, nesta análise comparativa, como grupo de controle da pesquisa; muito provavelmente a melodia restaurada (medieval) deste canto é diferente de qualquer outro exemplo selecionado.

2.3. Quadros comparativos

A metodologia de comparação melódica adotada foi inspirada no trabalho de comparação entre a EM1614 e o GEV, de Baroffio (2007), que utiliza quadros sintéticos nos quais a primeira coluna à esquerda apresenta a sigla do cantoral de onde o canto foi extraído, em uma das linhas o texto dividido em sílabas, e nas restantes a melodia agrupada em neumas por coluna e transcrita em letras de acordo com a figura abaixo:

Figura 1: Esquema de correlação de letras com notas quadradas em pautas de quatro linhas (cantochão) presentes no artigo Editio Medicea und Editio Vaticana Beziehungen und Untershiede im Spannungsfeld zwischen Tradition und Erneurung (BAROFFIO, 2007).

No caso de variações textuais presentes em exemplos extraídos de algum cantoral específico que provoquem mudanças na distribuição das notas entre os neumas, foi inserida uma outra linha no quadro para registro da variação. Exemplo: substituição de & por et, com a separação de “e” e “t” em dois neumas. Abaixo apresentamos, distribuído em seis quadros, o cantochão ASP presente no Ritual Mercedário de João da Veiga (RMJV) e nas versões de cada um dos cantorais anteriormente apresentados: Gradual da Editio Medicea (EM1614), Gradual Dominicano (GD 1950), Gradual da Edição Vaticana (GEV), Manual de Coro Mercedário (MCM1598), Ritual Mercedário de 1701 (RM1701), Ritual Mercedário de 1770 (RM1770) e Theatro Ecclesiastico (TE1765).

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RMJVGach ahcdefgfededhcd chah

3. Análise comparativa

A análise comparativa dos quadros acima apresentados nos faz chegar às seguintes conclusões:

  1. O ASP do MCM1598, apesar de ter sido produto da adesão mercedária à reforma tridentina, ainda mantém características dominicanas;
  2. O ASP do GEV, inserido como grupo de controle, pode ser agregado ao grupo “dominicano” em razão da semelhança;
  3. A melodia mais semelhante ao ASP do RMJV é o ASP extraído do TE1765, confirmando nossa hipótese da “tridentinização” por meio deste cantoral;
  4. Podemos separar as melodias em três grupos: um grupo “tridentino”, formado pelo RMJV, TE1765 e EM1614; um grupo “dominicano”, formado pelo GD 1950 e MCM1598; e um grupo “mercedário”, formado pelo RM1701 e RM1770;

Comentaremos a seguir a semelhança do ASP do RMJV com o ASP do TE1765, cerne desta investigação.

3.1. Semelhança com o Theatro Ecclesiastico

Como mencionado anteriormente, o Theatro Ecclesiastico foi o instrumento de Portugal para a unificação tridentina das práticas litúrgicas. Apesar disso, percebe-se pelas sutis diferenças que as publicações que inspiraram a confecção deste volume não foram as EM. O canto ASP é testemunha destas sutis diferenças entre EM e TE, presentes nas colunas 2 e 3, que compõem o incipit do canto.

Uma melodia de cantochão é construída a partir de um raciocínio formular, que agrega pequenos motivos melódicos em torno de trechos de cantilação em reto tono (ou récita); portanto, são essas células ou motivos melódicos que dão personalidade ao canto e permitem a analogia entre diversas peças do repertório como um todo.

Isto é, qualquer mudança nessas regiões do canto, mesmo que seja de uma nota, é de grande importância para esta análise comparativa. A transferência de uma nota (h) da sílaba pér para a sílaba ges da palavra asperges do ASP da EM1614 (colunas 2 e 3), acaba por diferenciar este exemplo, que é o principal representante do “canto tridentino”, seja do RMJV ou do TE1765, que apresentam as mesmas notas neste trecho. Isso comprova que a inspiração para a “tridentinização” do RMJV foi o TE1765 e não o EM1614 e que o ASP do TE1765 foi “tridentinizado” por meio de outro cantoral, talvez mais antigo (o trecho é igual ao GEV) e não o EM1614, ou que o TE representa uma corruptela local dos cantorais tridentinos.

3.2. Provável explicação das diferenças com o Theatro Ecclesiastico

Apesar do alto grau de semelhança entre o RMJV e o TE1765, notam-se duas diferenças, presentes nas colunas 49 e 60. Interpretamos tais diferenças como um problema de impressão ou edição, pelos seguintes motivos:

  1. As diferenças estão presentes no segundo hemistíquio da recitação salmódica do canto. As recitações salmódicas possuem uma melodia padrão que se repete a cada hemistíquio, diferenciando apenas a terminação de acordo com o tipo de cadência: mediana ou final. O primeiro hemistíquio do próprio ASP do RMJV (coluna 29) nos ajuda a constatar o erro de impressão ou edição, pois inicia com uma nota diferente da nota da coluna 49 (início do segundo hemistíquio). A mesma situação acontece no meio do primeiro hemistíquio (coluna 33), diferente da coluna 60 (meio do segundo hemistíquio);
  2. A semelhança das colunas 49 e 60 entre todos os cantorais dos grupos tridentino e dominicano, pois utilizam um mesmo modelo de recitação salmódica (ainda que com distribuição diferente das notas entre neumas), menos do RMJV.

4. Considerações finais

Este trabalho fortalece a hipótese que lançou: a de que o canto ASP do RMJV foi transcrito para este cantoral a partir do TE1765; tal constatação colabora imensamente para o restante da pesquisa de Doutorado sobre o RMJV que está sendo realizada. Lançou também as bases para a investigação comparativa dos cantos a partir do agrupamento das melodias em três grupos: tridentino, dominicano e mercedário, e uma forte justificativa para uma concentração de esforços maior na comparação das melodias dos cantos das cerimônias gerais (tridentinas e não específicas da ordem) com as presentes no TE1765. Não podemos ser descuidados e acreditar que todas as melodias dos cantos de cerimônias gerais foram copiadas do TE1765 (afinal este manual de cantochão não traz consigo todo o repertório a ser comparado), mas este trabalho nos deu um forte indício da seguinte hipótese: a de que todo canto presente em TE1765 pode ter sido transcrito diretamente para o RMJV.


  1. O pedido de publicação para a Rainha menciona que o procurador do Convento de N.S. das Mercês da cidade do Pará tinha intenção de imprimir o Rituale dividido em “dois corpos” (GABY, 2019, p. 7).↩︎
  2. O documento do fundo do Pará, caixa 77, D.6452 do Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal (AHU), datado de setembro de 1777, é assinado pelo Frei João da Veiga no cargo de comendador. O mesmo é mencionado, ainda como comendador, na “Relação dos religiosos de Nossa Senhora das Mercês da Congregação do Maranhão e Pará”, datada de 1781 (AHU, fundo do Maranhão, caixa 57, D.5346). Por outro lado, o documento do fundo do Maranhão, caixa 54, D.5417 do AHU, com data de novembro de 1782, nos dá uma pista de que aconteceu uma mudança nos cargos, pois menciona em seu título a desobediência de um frade aos “vários padres comissários que tomaram posse.↩︎
  3. Em português: “Ritual da sagrada, real e militar ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria da Mercê da redenção dos cativos, para uso dos irmãos da mesma ordem residentes na Congregação do Grão-Pará, elaborado e publicado por ordem do Reverendo Padre pregador Frei João da Veiga, Comendador da mesma Ordem na Cidade Paraense” e “Manual sagrado da real, e militar ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria da Mercê da redenção dos cativos, contendo todas as coisas que dizem respeito à administração dos sacramentos aos enfermos, à sepultura dos mortos, e os sufrágios a lhes serem aplicados. Concisamente elaborado e publicado para uso da Congregação da mesma Ordem no Estado do Grão-Pará”.↩︎
  4. Ordinarium officii divini ex more fratrum ordinis beatae Marie de Mercede redemptionis captivorum. Em português: Ordinário do ofício divino pelo costume dos irmãos da ordem da beata Maria da Mercê da redenção dos cativos. “Contém, depois das rubricas gerais, um índice detalhado das antífonas, salmos, leituras, etc. que deveriam ser recuperadas nos antigos livros corais” (VAZQUEZ, 1934, p. 13).↩︎
  5. BREVIARIUM secundum ordinationem fratrum sacri ordinis beatae Marie de Mercede, redemptionis captivorum Nunc recens fideliter emendatum (VAZQUEZ, 1934, p. 16). Em português: Breviário segundo a organização dos irmãos da sagrada ordem da beata Maria da Mercê, da redenção dos cativos, agora fielmente e recentemente corrigido. “Um breviário contém o texto e as rubricas das Horas Canônicas de todos os dias do ano. Possui a designação de Breviário em decorrência da reunião de livros usados na Idade Média” (CASTAGNA, 2001, p. 6).↩︎
  6. Missale secundum consuetudinem sacrosanctae religionis sacratissimae Virginis Mariae de Mercede Redemptionis captivorum […] (VAZQUEZ, 1934, p. 18). Em português: Missal segundo o costume da sacrossanta religião da sacratíssima Virgem Maria da Mercê da Redenção dos cativos. Um missal é “utilizado para a celebração da Missa. Contém as rubricas e o texto completo do Ordinário e Cânon das Missas de todos os dias do ano, mas contém somente o canto dos trechos entoados pelo Sacerdote e Ministros, omitindo o canto do coro” (CASTAGNA, 2001, p. 6).↩︎
  7. Manuale chori ac processionum, secundum morem ordinis beatae Mariae de Mercede redemptionis captivorum. Em português: Manual do coro e das procissões, segundo costume da ordem da beata Maria da Mercê da redenção dos cativos. Um manual de coro geralmente “contém o texto e o canto do coro em Missas e Horas Canônicas” (CASTAGNA, 2001, p. 6), mas como menciona o título do livro, esse manual contém, além disso, cantos para as procissões.↩︎
  8. O cerimonial não é propriamente um livro litúrgico mas sim um “livro de caráter normativo referente à material litúrgica” (CASTAGNA, 2001, p. 8).↩︎
  9. Um ritual descreve a administração dos sacramentos, bênçãos, procissões e demais funções de responsabilidade do Sacerdote com exceção da missa (CASTAGNA, 2001, p. 7).↩︎
  10. Graduale juxta ritum sacri ordinis praedicatorum[…]. Em português: Gradual segundo o rito da sagrada ordem dos pregadores[…]. Quando surgiu, o gradual consistia na reunião dos cantos próprios da missa (antífonas de entrada, do responsório gradual, do aleluia, ofertório e comunhão específicas para cada domingo ou dia de preceito). Os primeiros continham somente textos, mas a partir da segunda metade do séc. IX surgem os códices manuscritos de graduais com escrita neumática, inicialmente sem e, posteriormente, com linhas. Aos poucos os graduais começam a acumular também os cantos do ordinário da missa (Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei), além de tropos, prósulas e sequências. O santoral (cantos das festas dos santos) era distribuído ao longo do tempo litúrgico para facilitar o manuseio, e não em uma seção ou livro separado como no caso da Editio Medicea (ASENSIO, Juan Carlos, p. 418 – 420) .↩︎

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